INTRODUÇÃO
A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (BNCC)
dá um salto histórico ao reconhecer a Educação Infantil como uma etapa
essencial e estabelecer direitos de aprendizagem para crianças de 0 a 5 anos. O
documento também inova ao reconhecer essa etapa da Educação Básica como
fundamental para a construção da identidade e da subjetividade da criança. “O
importante é criar condições para a formulação de perguntas. As crianças
precisam pensar sobre o mundo ao seu redor, desenvolver estratégias de
observação, criar hipóteses e narrativas. A sistematização dos conceitos só
precisa acontecer na etapa do Ensino Fundamental”, afirma Silvana Augusto,
assessora pedagógica de redes municipais de ensino para o segmento de Educação
Infantil e formadora do Instituto Singularidades. A BNCC de Educação Infantil
estabelece seis direitos de aprendizagem. Para contemplá-los, o professor
precisa sempre tê-los em mente para garantir que as experiências propostas
estejam de acordo com os aspectos considerados fundamentais no processo. A concepção
de criança é reforçada pela visão da criança como protagonista em todos os
contextos de que faz parte: ela não apenas interage, mas cria e modifica a
cultura e a sociedade. O objetivo é que, a partir de um significativo avanço no
entendimento de como a criança aprende, ofereçamos referências para a
construção de um currículo, baseadas em direitos de desenvolvimento e aprendizagem
bem definidos. As diversas áreas de conhecimento e as diferentes linguagens são
integradas por meio dos Campos de Experiência. Parte-se do pressuposto de que a
criança aprende por meio das experiências vividas no contexto escolar.
Conheça,
a seguir, cada um dos seis direitos de aprendizagem e entenda melhor como
efetivá-los.
1- CONVIVER:
O QUE DIZ A BNCC:
“Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos,
utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o
respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas”.
COMO GARANTIR ESSE DIREITO:
Situações em que os pequenos possam brincar e interagir com os colegas são
fundamentais, mas não apenas elas. Jogos, por exemplo, são importantes para que
as crianças convivam em uma situação em que precisam respeitar regras. Permitir
que as crianças participem da organização da convivência do grupo, então,
envolvê-las nas tarefas que viabilizam o cotidiano como, por exemplo, organizar
o ambiente das refeições ou acomodar os brinquedos. “Quando falamos em conviver
estamos falando numa educação que pensa no outro”, explica Maria Virgínia.
2- BRINCAR:
O QUE DIZ A BNCC:
“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com
diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu
acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua
criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas,
cognitivas, sociais e relacionais”.
COMO GARANTIR ESSE DIREITO: As
brincadeiras são essenciais e devem estar presentes intensamente na rotina da
criança. Trata-se de iniciativas infantis que o adulto deve acolher e
enriquecer, porém, devem ser planejadas e variadas. Para isso, a partir da
observação dos pequenos brincando, o professor pode disponibilizar materiais
que auxiliem o desenvolvimento da brincadeira ou que conduzam a outras
experiências. Ele também pode promover conversas posteriores para discutir o
que observou. “Se o professor organiza boas propostas, por exemplo, bons
títulos de literatura, conversas e faz uma sequência rica a chance dessas
temáticas migrarem para as brincadeiras são grandes”, comenta Maria Virgínia.
3-
PARTICIPAR:
O QUE DIZ A BNCC: “Participar
ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da
escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das
atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos
materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando
conhecimentos, decidindo e se posicionando”.
COMO GARANTIR ESSE DIREITO: Um
exemplo clássico dado por Maria Virgínia Gastaldi foi a construção de casinhas
de brinquedo. “O professor planeja como vai fazer, separa os materiais e pede
ajuda de familiares para montá-la. Quando leva, pronta, à escola, fica
surpreso, porque as crianças não se interessam ou estragam o brinquedo”, diz.
Aqui, o importante é envolver as crianças em todas as etapas, permitindo que
elas ajudem a decidir como será a estrutura, quais materiais serão usados, qual
será a cor etc. Então, que o professor observe o que ele já faz por elas e pode
ser feito com elas. Permitir que elas participem das decisões que dizem
respeito a elas mesmas e que organizam o cotidiano coletivo.
4-
EXPLORAR:
O QUE DIZ A BNCC:
“Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções,
transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na
escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas
modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia”.
COMO GARANTIR ESSE DIREITO:
Aqui, é fundamental permitir que as crianças explorem sozinhas diferentes
materiais fornecidos pelo professor. “Não é por meio de ‘aulinhas’, em que o
professor senta na frente da sala e diz: isso é madeira, isso é isopor”,
destaca a especialista. Além da exploração de elementos concretos, explorar os
elementos simbólicos, então que as crianças explorem músicas e histórias, por
exemplo. Criar momentos de reflexão e, a partir da observação e escuta, que o
professor perceba o que é pertinente e necessário para os pequenos.
5-
EXPRESSAR-SE:
O
QUE DIZ A BNCC: “Expressar, como sujeito dialógico, criativo
e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses,
descobertas, opiniões”.
COMO GARANTIR ESSE DIREITO:
Rodas de conversa são imprescindíveis para que as crianças tenham seu direito
garantido. É importante que essas situações sejam frequentes para que o
professor apresente materiais variados para que a criança explore e se expresse
a partir de diferentes linguagens. “Expressar é posterior ao explorar, só se
pode expressar quando conhece”, afirma a especialista. Promover ambientes
interessantes de expressão com diferentes pessoas e situações ajudam a garantir
este direito. Outro recurso essencial é a criação de momentos de fala, nos
quais ambas as partes escutem e se expressem. Além disso, criar conselhos e
assembleias em que os pequenos votam e argumentam sobre decisões que afetam o
coletivo ajudam nessa tarefa.
6- CONHECER-SE:
O QUE DIZ A BNCC:
“Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural,
constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas
diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens
vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário”.
COMO GARANTIR ESSE DIREITO: Boa
parte das atividades ajudam a garantir esse direito, mas há estratégias para
pensar especificamente sobre ele. Neste momento, é importante que o professor
ajude a que eles se percebam, aprendam do que gostam. Para isso, o professor
pode, a partir da observação, criar situações simples, mas que os auxiliem a
descobrir a si próprio e ao outro. Com os bebês, Virgínia cita como exemplo
situações em que eles podem ficar em frente a espelhos e se observar. Os
momentos de banho, alimentação e troca de fraldas também são ricos para essa
aprendizagem: ao se sentir cuidado e ao aprendendo a cuidar de si, a criança
desperta a consciência sobre seu corpo. “Quando anunciamos para um bebê onde vamos
tocá-lo e o que faremos com ele, criamos a primeira oportunidade para que se
reconheça como pessoa e não objeto”, destaca a especialista.
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